
Como estrangeiro pode comprar imóvel em Florianópolis
Resposta direta: sim, estrangeiros podem comprar imóveis urbanos em Florianópolis com os mesmos direitos de um brasileiro, sem precisar morar no Brasil. Os passos essenciais são tirar o CPF, enviar o dinheiro por uma instituição autorizada pelo Banco Central, fazer a escritura (pessoalmente ou por procuração) e registrar o imóvel no cartório. Os impostos da compra, como o ITBI, são os mesmos pagos por brasileiros.
Florianópolis está cada vez mais perto de quem vive na Argentina, no Chile e em outros países. O aeroporto da cidade é hoje o terceiro do Brasil em passageiros internacionais, e em 2026 já havia recebido 485 mil passageiros da Argentina e 388 mil de Santiago até agosto. Não por acaso, no meu dia a dia recebo cada vez mais perguntas de compradores estrangeiros.
Neste guia, explico o passo a passo da compra, os documentos, como enviar o dinheiro, os impostos e os cuidados que mais fazem diferença para quem compra à distância.
Estrangeiro pode comprar imóvel no Brasil?
Sim. A legislação brasileira permite que estrangeiros, residentes ou não, comprem imóveis urbanos — casas, apartamentos, terrenos e salas comerciais — sem autorização especial. A compra de imóvel não exige visto de residência.
Há restrições apenas em casos específicos:
- Imóveis rurais: a Lei 5.709/1971 limita o tamanho e exige requisitos para estrangeiros.
- Faixa de fronteira: áreas próximas à fronteira terrestre têm regras próprias (não é o caso de Florianópolis).
- Terrenos de marinha: comuns na orla da Ilha, seguem as regras da Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Vale consultar um advogado antes de fechar negócio nesses imóveis.
Qual é o passo a passo para estrangeiro comprar imóvel em Florianópolis?
O processo tem seis etapas principais. Com a documentação em dia, ele é tão seguro quanto a compra feita por um brasileiro.
- Tirar o CPF: o Cadastro de Pessoas Físicas é obrigatório. Pode ser solicitado junto à Receita Federal, inclusive por meio dos consulados brasileiros no exterior, com passaporte válido.
- Escolher o imóvel e analisar a documentação: matrícula atualizada, certidões do imóvel e do vendedor, débitos de IPTU e condomínio.
- Assinar a proposta ou o compromisso de compra e venda: com prazos, forma de pagamento e condições claras.
- Enviar o dinheiro ao Brasil: por banco ou corretora de câmbio autorizada pelo Banco Central, com a finalidade “aquisição de imóvel”.
- Pagar o ITBI e assinar a escritura: no Tabelionato de Notas, pessoalmente ou por procurador.
- Registrar a escritura: no Cartório de Registro de Imóveis. Só com o registro o comprador passa a ser o dono legal.
Para entender todos os custos dessa jornada, veja Custos para comprar imóvel em Florianópolis em 2026.
Como enviar o dinheiro do exterior para comprar o imóvel?
O dinheiro deve entrar no Brasil por uma instituição autorizada pelo Banco Central, com contrato de câmbio que indique a finalidade da operação. Desde o novo marco cambial (Lei 14.286/2021), não é preciso autorização prévia do governo, mas a operação precisa ser formal e documentada.
Alguns cuidados importantes:
- Guarde o contrato de câmbio: ele comprova a origem do dinheiro e é pedido pelo cartório e, no futuro, na venda do imóvel e no envio do dinheiro de volta.
- Verifique a necessidade de registro no Banco Central: dependendo do perfil do comprador e da finalidade (uso próprio ou investimento), pode ser necessário registrar a operação no sistema de capitais estrangeiros do Banco Central dentro de prazo. Confirme com o banco ou com assessoria especializada.
- Considere o IOF e o spread: o câmbio tem custo. Compare instituições antes de fechar.
- Nunca envie dinheiro para conta de terceiros: o pagamento deve ir para o vendedor ou para a conta indicada no contrato.
Preciso estar no Brasil para assinar a escritura?
Não. O comprador pode assinar pessoalmente ou nomear um procurador no Brasil. A procuração pode ser feita em um consulado brasileiro ou em cartório no exterior, com Apostila de Haia, e precisa de tradução juramentada se não estiver em português.
Quem assina pessoalmente e não fala português deve contar com tradutor público na escritura, conforme exige o Código Civil. Na prática, muitos compradores argentinos e chilenos visitam o imóvel no verão e deixam a assinatura com um procurador de confiança.
Quais impostos o estrangeiro paga ao comprar e manter um imóvel?
Na compra, o estrangeiro paga os mesmos tributos de um brasileiro: ITBI de 2% em Florianópolis, além de escritura e registro. Depois, paga IPTU e condomínio como qualquer proprietário.
Há diferenças na renda e na venda:
- Aluguel recebido por não residente: em regra, sofre retenção de imposto de renda na fonte. Quem paga o aluguel ou a administradora faz a retenção.
- Venda do imóvel (ganho de capital): o lucro na venda é tributado com alíquotas progressivas a partir de 15%, e o imposto deve ser recolhido pelo procurador do vendedor no Brasil ou retido pelo comprador.
Como as regras tributárias variam conforme o país de residência e eventuais acordos internacionais, é essencial contar com um contador brasileiro antes de alugar ou vender.
Por que estrangeiros estão comprando em Florianópolis?
Florianópolis combina qualidade de vida, segurança relativa, praias e conexão aérea direta com Buenos Aires, Santiago, Panamá e Lisboa. Para o comprador argentino, em especial, a cidade já é destino de férias há décadas — e muitos passaram a comprar em vez de alugar.
Uma matéria de 2026 citou levantamento em que compradores argentinos responderam por 83% das vendas na planta de uma imobiliária de Florianópolis. Na minha experiência, os bairros mais procurados por estrangeiros são:
- Campeche e Novo Campeche: praia, condomínios com lazer e proximidade do aeroporto.
- Jurerê Internacional: tradicional entre argentinos, com perfil de alto padrão.
- Lagoa da Conceição: estilo de vida, gastronomia e esportes.
- Imóveis de luxo em Florianópolis: para quem busca o topo do mercado.
Para entender por que o aeroporto pesa nessa decisão, leia Aeroporto de Florianópolis: o impacto do novo aeroporto para o mercado imobiliário.
Quais cuidados o comprador estrangeiro deve ter?
Os riscos de uma compra à distância diminuem muito com três cuidados: análise documental completa, pagamentos rastreáveis e acompanhamento de profissionais locais.
- Confira a matrícula e as certidões antes de qualquer sinal.
- Faça todos os pagamentos por transferência documentada, nunca em espécie.
- Escolha um procurador de confiança e defina na procuração poderes específicos para aquela compra.
- Contrate corretor com CRECI ativo e, se possível, um advogado imobiliário.
- Em imóvel na planta, verifique o registro da incorporação e o histórico da construtora — veja Construtoras em Florianópolis e Imóveis na planta no Campeche.
- Se pensa em alugar por temporada, confira se o condomínio permite. Veja Aluguel por temporada em condomínio: o que diz o STJ.
Perguntas frequentes sobre estrangeiro comprar imóvel
Estrangeiro pode comprar imóvel no Brasil sem morar aqui?
Sim. Estrangeiros não residentes podem comprar imóveis urbanos no Brasil. É preciso ter CPF e enviar o dinheiro por instituição autorizada pelo Banco Central.
Como o estrangeiro tira o CPF?
O CPF pode ser solicitado junto à Receita Federal, inclusive por meio de consulados brasileiros no exterior, com passaporte válido. É um processo simples e é o primeiro passo da compra.
Comprar imóvel no Brasil dá direito a visto ou residência?
A compra, por si só, não garante visto. Existe autorização de residência para investimento imobiliário com valor mínimo e requisitos próprios; consulte um advogado de imigração.
O estrangeiro pode financiar um imóvel no Brasil?
É difícil para quem não tem renda e residência no Brasil, porque os bancos exigem comprovação de renda local. A maioria dos compradores estrangeiros paga à vista ou parcela diretamente com a construtora.
Quais impostos o estrangeiro paga na compra?
Os mesmos de um brasileiro: ITBI (2% em Florianópolis), escritura e registro. Depois, IPTU e condomínio.
Preciso vir ao Brasil para assinar a escritura?
Não. É possível nomear um procurador no Brasil, com procuração feita em consulado ou em cartório no exterior, com apostilamento e tradução juramentada quando necessário.
Conclusão: comprar à distância com segurança é possível
Para o estrangeiro, comprar um imóvel em Florianópolis é um processo claro: CPF, envio formal do dinheiro, análise documental, escritura e registro. O que faz a diferença é ter profissionais locais conferindo cada etapa, principalmente quando a compra é feita à distância.
Se você mora fora do Brasil e quer comprar no Campeche, Novo Campeche, Jurerê ou em outra região de Florianópolis, eu acompanho todo o processo — da escolha do imóvel ao registro.
Fale com o Diogo: WhatsApp e telefone (48) 99150-1835 ou pela página de contato.
Leia também: Comprar imóvel em Florianópolis: passos essenciais e Glossário Imobiliário de Florianópolis.
Diogo Fernando de Souza — Corretor de imóveis e avaliador imobiliário | CRECI-SC 32.236-F
Manezinho da Ilha, com mais de 15 anos de atuação no mercado imobiliário de Florianópolis, especialista em imóveis de médio e alto padrão no Campeche, Novo Campeche, Morro das Pedras, Rio Tavares, Lagoa da Conceição, Cacupé e Jurerê Internacional.
Fontes: Lei 14.286/2021 (marco cambial); Lei 5.709/1971 (imóveis rurais); Receita Federal (CPF); Zurich Airport Brasil (passageiros internacionais, 2026); Economic News Brasil, julho de 2026 (compradores argentinos). Este artigo é informativo e não substitui orientação jurídica, cambial ou tributária.



