
Por que Florianópolis é chamada de Ilha da Magia?
Resposta direta: Florianópolis é chamada de Ilha da Magia por causa das lendas de bruxas, benzedeiras e criaturas fantásticas trazidas pelos colonizadores açorianos e registradas pelo folclorista Franklin Cascaes, somadas à beleza natural que encanta quem chega à Ilha. O apelido une o imaginário popular — como a lenda das bruxas de Itaguaçu — a uma paisagem de praias, lagoas e morros que parece, de fato, encantada.
Sou manezinho da Ilha. Cresci ouvindo dos mais velhos histórias de bruxas que trançavam a crina dos cavalos durante a noite, que “embruxavam” crianças e que saíam pelo mar em canoas roubadas dos pescadores. Para quem é daqui, essas histórias não são só folclore: fazem parte da identidade de Florianópolis.
Neste artigo, explico de onde vem o apelido Ilha da Magia, quem foi Franklin Cascaes, quais são as lendas mais conhecidas, onde ainda é possível sentir essa atmosfera e por que esse lado cultural também conta na hora de escolher onde morar na Ilha.
De onde vem o apelido Ilha da Magia?
O apelido vem da combinação entre a tradição açoriana de lendas de bruxas e a beleza natural da Ilha de Santa Catarina. As histórias foram trazidas pelos imigrantes dos Açores no século XVIII, passaram de geração em geração nas comunidades de pescadores e rendeiras e foram registradas, no século XX, pelo artista e pesquisador Franklin Cascaes.
Três elementos explicam a força do apelido:
- A herança açoriana: milhares de açorianos chegaram à Ilha e ao litoral catarinense em meados do século XVIII e trouxeram consigo crenças, festas e superstições, incluindo as histórias de bruxas e benzedeiras.
- O registro de Franklin Cascaes: sem o trabalho dele, grande parte desse imaginário teria se perdido. Cascaes transformou as histórias orais em desenhos, esculturas e textos.
- A paisagem: dunas, lagoas, costões, neblina sobre os morros e praias desertas criam um cenário que reforça a sensação de encantamento.
Com o tempo, o apelido passou a ser usado também em campanhas de turismo e na fala do dia a dia. Hoje, “Ilha da Magia” é tão comum quanto “Floripa” para se referir à cidade.
Quem foi Franklin Cascaes?
Franklin Cascaes (1908–1983) foi um folclorista, artista plástico, gravurista e escritor nascido na Ilha de Santa Catarina, considerado o principal guardião da cultura açoriana de Florianópolis. Durante décadas, ele percorreu comunidades do interior da Ilha conversando com pescadores, rendeiras e moradores antigos, registrando suas histórias.
Sua obra mais conhecida é o livro O Fantástico na Ilha de Santa Catarina, que reúne 24 narrativas escritas entre 1946 e 1975, com bruxas, lobisomens, boitatás e pescadores enfeitiçados. Boa parte dos textos é escrita no jeito de falar do manezinho, com diálogos que preservam o sotaque e as expressões açorianas.
Um detalhe curioso: Cascaes preferia se referir à cidade como Desterro — o nome antigo de Florianópolis, usado até 1894. Para ele, a Ilha mágica era a do Desterro.
Segundo pesquisadores da cultura local, as bruxas ocupam o primeiro lugar entre os personagens registrados por Cascaes. E as bruxas da Ilha têm uma característica marcante: não são essencialmente malvadas. São brincalhonas, travessas e muitas vezes vaidosas.
Quais são as lendas mais famosas da Ilha da Magia?
A lenda mais famosa é a das bruxas de Itaguaçu, mas o imaginário da Ilha inclui muitas outras histórias, quase sempre ligadas ao mar, à noite e à vida das comunidades de pescadores.
As bruxas de Itaguaçu
Na praia de Itaguaçu, na parte continental de Florianópolis, um conjunto de grandes pedras no mar chama a atenção. Diz a lenda, registrada por Franklin Cascaes, que as bruxas da região organizaram uma grande festa e convidaram todas as criaturas fantásticas — mas se esqueceram de convidar o diabo. Furioso, ele transformou as bruxas em pedra. Uma placa da Prefeitura em frente às rochas conta a história até hoje.
As bruxas que roubam canoas
Outra história comum fala de pescadores que encontravam suas canoas molhadas e fora do lugar pela manhã. A explicação: durante a noite, as bruxas teriam usado as embarcações para atravessar o mar até ilhas distantes, voltando antes do amanhecer.
Crianças embruxadas e benzedeiras
Era comum atribuir às bruxas doenças misteriosas em bebês. Para proteger as crianças, as famílias recorriam às benzedeiras — mulheres que, com rezas e ervas, “desfaziam” a bruxaria. As benzedeiras são, ainda hoje, parte da tradição de algumas comunidades da Ilha.
Crinas trançadas e outros sinais
Cavalos que amanheciam com a crina trançada, objetos fora do lugar e barulhos à noite eram sinais de que as bruxas tinham passado por ali. Daí vem uma brincadeira que todo manezinho conhece: “Pede licença às bruxas” antes de se mudar para a Ilha. Muitos moradores que vieram de fora contam, com bom humor, que só se sentiram realmente em casa depois de “pedir permissão” a elas.
Boi de mamão, Bernunça e Maricota
O folclore da Ilha vai além das bruxas. O boi de mamão, brincadeira de origem açoriana, traz personagens como a Bernunça — uma criatura de boca enorme que “engole” crianças — e a Maricota, uma boneca gigante que dança. São figuras presentes em festas populares até hoje.
Onde sentir a magia de Florianópolis hoje?
Os lugares mais ligados à tradição açoriana e às lendas são o Ribeirão da Ilha, Santo Antônio de Lisboa, a Lagoa da Conceição e o Centro Histórico. São bairros onde a arquitetura colonial, a pesca artesanal e a renda de bilro ainda fazem parte da paisagem.
- Ribeirão da Ilha: uma das localidades mais antigas da Ilha, com casario açoriano, igreja histórica, cultivo de ostras e pôr do sol sobre a baía.
- Santo Antônio de Lisboa: ruas de pedra, casarios coloniais e restaurantes à beira-mar, com uma das paisagens mais tradicionais de Florianópolis.
- Lagoa da Conceição: a tradição das rendeiras e o encanto da lagoa e das dunas inspiraram muitas histórias.
- Centro Histórico: a Praça XV, a Catedral e o casario do antigo Desterro. O Parque da Luz, junto à Ponte Hercílio Luz, costuma fazer parte dos roteiros culturais que contam a história da cidade.
- Itaguaçu: a praia das bruxas petrificadas, na parte continental da cidade.
Para quem quer se aprofundar, os passeios temáticos realizados em outubro — mês do aniversário de Franklin Cascaes, nascido em 16 de outubro — e a coleção do artista preservada pela UFSC são ótimos pontos de partida.
A Ilha da Magia e a escolha de onde morar
A “magia” de Florianópolis não está só nas lendas: está no estilo de vida que a Ilha oferece. Natureza, cultura, segurança e qualidade de vida são, historicamente, alguns dos principais motivos que levam pessoas de todo o Brasil e do exterior a escolherem a cidade para morar.
Na minha experiência atendendo compradores, quem escolhe um bairro histórico como o Ribeirão da Ilha ou Santo Antônio de Lisboa costuma buscar exatamente essa atmosfera: casarios, ritmo mais calmo, gastronomia local e conexão com a cultura açoriana. Já quem prefere o Campeche, a Lagoa ou o Morro das Pedras encontra a magia na paisagem e no contato com o mar e as trilhas.
Algumas páginas que podem ajudar na escolha:
- Guia de Bairros: melhores bairros de Florianópolis para morar
- Conheça os principais bairros nobres de Florianópolis
- Revitalização do Centro de Florianópolis
- Vista Artefacto by KDS, em Santo Antônio de Lisboa
- Loteamento Portal do Ribeirão
Perguntas frequentes sobre a Ilha da Magia
Por que Florianópolis é conhecida como Ilha da Magia?
Por causa das lendas de bruxas e criaturas fantásticas trazidas pelos açorianos e registradas por Franklin Cascaes, somadas às belezas naturais da Ilha. O apelido se popularizou e hoje é usado tanto pelos moradores quanto no turismo.
Quem criou o nome Ilha da Magia?
Não há um autor único do apelido. Ele nasceu da tradição oral açoriana e do trabalho de Franklin Cascaes, que registrou as lendas da Ilha, e depois se consolidou com o uso popular e as campanhas de turismo.
Qual é a lenda das bruxas de Itaguaçu?
Segundo a lenda registrada por Franklin Cascaes, as bruxas fizeram uma grande festa na praia de Itaguaçu e não convidaram o diabo. Como castigo, ele as transformou nas grandes pedras que existem no mar da praia até hoje.
Quem foi Franklin Cascaes?
Franklin Cascaes (1908–1983) foi um folclorista, artista e escritor de Florianópolis que dedicou a vida a registrar a cultura açoriana da Ilha. Sua obra mais conhecida é O Fantástico na Ilha de Santa Catarina.
Qual era o nome antigo de Florianópolis?
O nome antigo era Nossa Senhora do Desterro, ou simplesmente Desterro. A cidade passou a se chamar Florianópolis em 1894, em homenagem ao presidente Floriano Peixoto.
Onde ver a cultura açoriana em Florianópolis?
Os melhores lugares são o Ribeirão da Ilha, Santo Antônio de Lisboa, a Lagoa da Conceição e o Centro Histórico, onde ainda há casarios coloniais, igrejas antigas, renda de bilro e pesca artesanal.
Conclusão: uma ilha que encanta de verdade
Florianópolis é chamada de Ilha da Magia porque une duas coisas raras: um folclore riquíssimo, herdado dos açorianos e eternizado por Franklin Cascaes, e uma natureza que parece saída de uma história encantada. Quem vem conhecer costuma voltar — e muitos acabam ficando.
Se você está pensando em fazer da Ilha da Magia o seu endereço, seja em um bairro histórico ou perto da praia, eu posso ajudar a encontrar o imóvel certo. E, como todo manezinho diria: não esquece de pedir licença às bruxas.
Fale com o Diogo: WhatsApp e telefone (48) 99150-1835 ou pela página de contato.
Leia também: Conheça a Lagoa do Peri em Florianópolis e Startups em Florianópolis: por que a ilha virou o Vale do Silício do polo tecnológico.
Diogo Fernando de Souza — Corretor de imóveis e avaliador imobiliário | CRECI-SC 32.236-F
Manezinho da Ilha, com mais de 15 anos de atuação no mercado imobiliário de Florianópolis, especialista em imóveis de médio e alto padrão no Campeche, Novo Campeche, Morro das Pedras, Rio Tavares, Lagoa da Conceição, Cacupé e Jurerê Internacional.
Fontes: NSC Total (reportagens sobre as lendas da Ilha da Magia e as bruxas de Itaguaçu); obra O Fantástico na Ilha de Santa Catarina, de Franklin Cascaes; Floripa Airport (projeto “A Dança das Aroeiras”, sobre a imigração açoriana e a Ilha da Magia).



