Parque Urbano e Marina da Beira-Mar Norte: o que muda

Parque Urbano e Marina da Beira-Mar Norte: o que muda

Resposta rápida: o Parque Urbano e Marina da Beira-Mar Norte é um projeto de R$ 350 milhões, com investimento privado, que prevê um parque público de cerca de 140 mil m² e uma marina para até 600 embarcações no trecho da Beira-Mar Norte entre a Praça de Portugal e a Praça do Sesquicentenário, no Centro de Florianópolis. As obras começaram em março de 2026, e a previsão é de cerca de quatro anos até a conclusão total. A Justiça Federal negou, em maio de 2026, pedidos do ICMBio para suspender a obra.


Discutido há anos, o projeto finalmente saiu do papel em 2026 e deve mudar a relação do Centro com a Baía Norte. Para moradores, significa um novo parque à beira-mar. Para quem tem ou pensa em comprar imóvel na região, é um dos fatores mais importantes a acompanhar na próxima década.


Neste artigo, explico o que o projeto prevê, em que pé estão as obras, quais são as críticas e o que ele pode representar para o mercado imobiliário do Centro e da Beira-Mar Norte.


O que é o Parque Urbano e Marina da Beira-Mar Norte?

É a combinação de um grande parque público com uma marina, construídos sobre uma área aterrada da Baía Norte, em frente ao Centro. O projeto avança cerca de 315 metros em direção ao mar.


Segundo a reportagem do NSC Total de junho de 2026, o espaço total chega a quase 440 mil m², sendo cerca de 140 mil m² de parque e 300 mil m² de área náutica. A obra é executada pela JL Construções, de Cascavel (PR), escolhida em licitação, que poderá explorar a marina e as áreas comerciais por 35 anos por meio de uma cessão de uso.


  • Investimento: R$ 350 milhões, todo privado.
  • Localização: Beira-Mar Norte, entre a Praça de Portugal e a Praça do Sesquicentenário.
  • Área total: Quase 440 mil m² (cerca de 140 mil m² de parque e 300 mil m² náuticos).
  • Marina: Até 600 embarcações de até 110 pés, em 10 píeres.
  • Vagas públicas: 30 vagas para instituições públicas e pescadores artesanais.
  • Estacionamento: Cerca de 550 vagas subterrâneas.
  • Prazo: Cerca de 2,5 anos para o parque e mais 1,5 ano para a marina.
  • Operação: Cessão de uso por 35 anos.


O que vai ter no parque da Beira-Mar Norte?

O projeto prevê um parque com estrutura de lazer completa e aberto ao público. Segundo a Prefeitura e a construtora, estão previstos:


  • Praças, gramados, espelho d'água interativo e arquibancadas.
  • Playgrounds, espaço para pets, quadras de areia, quadras recreativas e pista de skate.
  • Academias ao ar livre, área para eventos e espaço para a feira tradicional.
  • Escola de vela, quiosques, restaurantes, lojas e serviços ligados à náutica.
  • Píer público que pode atender a um futuro transporte marítimo, além de rampa náutica.
  • Manutenção e ampliação das ciclovias e calçadas, paradas de ônibus e via adaptada para o futuro BRT.


Algumas áreas de estacionamento atuais na orla devem ser convertidas em lazer, e o plano de longo prazo reduz o espaço para carros no trecho.


Em que fase estão as obras da marina?

As obras estão na primeira fase, de mobilização e enrocamento (base de pedras para o aterro). A cronologia é esta:


  • Fevereiro de 2026: concessão da licença ambiental de instalação.
  • 4 de março de 2026: montagem do canteiro de obras, junto ao Trapiche da Beira-Mar.
  • 23 de março de 2026: lançamento da pedra fundamental, no aniversário da cidade.
  • Maio de 2026: a Justiça Federal nega pedidos do ICMBio para suspender as obras.
  • 18 de junho de 2026: assinatura do contrato de cessão do espelho d'água da Baía Norte.
  • Julho de 2026: chegada prevista de máquinas pesadas à Beira-Mar Norte.


Pelo cronograma divulgado, o parque e as áreas públicas ficam prontos cerca de 2,5 anos após o início, e a marina, cerca de 1,5 ano depois. Prazos de obras desse porte podem mudar, então trate as datas como previsão.


Quais são as críticas ao projeto?

O projeto tem apoio da Prefeitura e de entidades empresariais, mas também enfrenta questionamentos ambientais e urbanísticos.


  • Licenciamento ambiental: o ICMBio pediu à Justiça Federal a suspensão das obras, alegando não ter recebido o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima). Em maio de 2026, o juiz negou o pedido, considerando, entre outros pontos, que a obra fica a mais de 3 km de unidades de conservação federais. Segundo a reportagem do ND+, o ICMBio segue aguardando os documentos técnicos.
  • Aterro da baía: grupos ambientalistas questionam o impacto do aterro sobre a Baía Norte.
  • Transtornos de obra: redução de vagas de estacionamento, bloqueios rápidos na via para entrada de caminhões e mudança de posição da Feira do Trapiche.


Do lado favorável, a Prefeitura projeta mais de 2 mil empregos diretos e indiretos e argumenta que o local foi escolhido por não ter rochas e exigir menos escavação do fundo.


A marina vai valorizar os imóveis da Beira-Mar Norte?

Grandes equipamentos públicos tendem a aumentar o interesse pelos bairros do entorno, mas o efeito sobre cada imóvel não é garantido e costuma aparecer ao longo dos anos, conforme a obra avança e o parque é entregue.


O ponto de partida já é alto. Segundo o Índice FipeZAP, o metro quadrado à venda no Centro estava em R$ 14.201 em maio de 2026, com alta de 8,6% em 12 meses (dados compilados pelo MySide). A vizinha Agronômica, que também margeia a Beira-Mar Norte, aparecia no mesmo levantamento com R$ 16.349, o metro quadrado mais caro da cidade.


Na prática, vejo três perfis de imóvel que merecem atenção no entorno:


  • Frente para a Beira-Mar Norte: imóveis com vista para a baía, que passarão a olhar para o novo parque.
  • Ruas a uma ou duas quadras da orla: acesso a pé ao parque, geralmente com preço menor que o da primeira linha.
  • Imóveis para locação: o lazer novo pode reforçar a procura de quem quer morar perto do trabalho e do mar.


Durante a obra, porém, prédios muito próximos ao canteiro convivem com ruído e movimento de caminhões. Para a lógica de compra de imóveis com vista, leia investimentos em imóveis com vista mar em Florianópolis. Para o perfil do bairro, veja Vale a pena morar no Centro de Florianópolis?.


Perguntas frequentes sobre a marina da Beira-Mar Norte

Onde vai ficar a marina da Beira-Mar Norte?

No trecho da Avenida Beira-Mar Norte entre a Praça de Portugal e a Praça do Sesquicentenário, no Centro de Florianópolis, sobre uma área aterrada da Baía Norte.


Quanto custa a marina da Beira-Mar Norte?

O investimento anunciado é de R$ 350 milhões, todo privado. A construtora poderá explorar a marina e as áreas comerciais por 35 anos.


Quando fica pronta a marina de Florianópolis?

As obras começaram em março de 2026. A previsão é de cerca de 2,5 anos para o parque e as áreas públicas e mais 1,5 ano para a marina.


Quantos barcos a marina da Beira-Mar vai receber?

Até 600 embarcações de até 110 pés, distribuídas em 10 píeres, com 30 vagas reservadas para instituições públicas e pescadores artesanais.


As obras da marina da Beira-Mar foram suspensas?

Não. Em maio de 2026, a Justiça Federal negou os pedidos do ICMBio para paralisar a obra, e o cronograma foi mantido, segundo a Prefeitura.


O parque da marina será público?

Sim. O parque, as praças, as quadras e as áreas de lazer serão públicos. A marina particular e as áreas comerciais serão administradas pela empresa responsável.


Conclusão

O Parque Urbano e Marina da Beira-Mar Norte é a maior intervenção urbana no Centro de Florianópolis em décadas. Ainda há etapas longas de obra pela frente, mas o projeto já entra na conta de quem pensa em morar ou investir no Centro e na Beira-Mar Norte.


Quer avaliar imóveis no entorno da futura marina? Fale comigo pelo WhatsApp (48) 99150-1835 ou pela página de contato. Se você já tem imóvel na região, faço a avaliação técnica.


Veja também o panorama completo das obras no bairro em Revitalização do Centro de Florianópolis e a página Imóveis no Centro de Florianópolis.


Fontes: NSC Total (contrato e detalhes do projeto, junho de 2026); Imagem da Ilha (início das obras, março de 2026); ND+ (decisão da Justiça Federal, maio de 2026); MySide (projeto da marina, outubro de 2026; FipeZAP por bairro, maio de 2026).


Diogo Fernando de Souza é corretor de imóveis e perito avaliador (CRECI-SC 32.236-F, CNAI 37.814), nascido em Florianópolis e com mais de 15 anos de atuação no mercado imobiliário da Ilha.

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